segunda-feira, 20 de julho de 2009

O segredo (parte 1)

Sobre um banco uma jovem chorava. Ainda não havia passado dos 12 anos, mas chorava como se tivesse as maiores tristezas do mundo. Em minutos passaram uma, duas, três, uma grande quantidade de pessoas e nenhuma delas foi capaz de confortar o pranto da pequena. As lágrimas lhe escorriam grossas pela face delicada e o nariz soava, mas ninguém mais ligava para ela. Foi assim que ela estava quando um jovem trabalhador passou. Ele sem camisa sob o sol quente carregava pesadas bolsas e à sombra a pequena chorava. Por duas vezes que passou por ali, o quadro que via era o mesmo. Ninguém sequer olhava para a garota que chorava e alguns ainda faziam cara feia. Sem jeito o jovem que tinha a calça um pouco suja e o dorso suado se aproximou.

- O que houve jovem senhorita? Porque num dia de sol tão belo como este o choro lhe domina com força tão esmagadora, roubando-lhe o brilho do sorriso?

A menina engoliu o choro com alguma dificuldade e olhou para aquele pobre rapaz que devia ter seus 17 anos. Ficou alguns poucos segundos em silêncio e então lhe confessou o motivo do choro. Sua voz saiu um pouco fraca e ainda com alguns soluços.

- Todos que eu conheço possuem um segredo, mas nada me contam. Queria eu ter também um segredo. Por favor, conta-me um segredo.

Diante da confissão da menina o rapaz segurou o riso. Pensava em como aquela menina, filha de pais ricos, poderia chorar por um motivo tão bobo? Ainda com isto em mente o rapaz foi se levantando, pois estava ligeiramente curvado para poder falar próximo à menina, e ela observou seu gesto, estava sem esperanças achando que este rapaz era mais um que se aproximava dela e partia sem ligar para seus motivos. Quando estava de pé o rapaz voltou a falar com a menina, lhe deixando um pouco apreensiva.

- Aguarde aqui, pequena dama sem igual neste mundo! Eu vou até ali e logo volto. Vou até lá para buscar seu segredo.

Ao ouvir estas palavras uma alegria pareceu percorrer através do corpo da menina que se apressou em enxugar as lágrimas enquanto observava o rapaz se afastar até perdê-lo de vista.

A espera parecia eterna para a menina. O tempo para o rapaz passou tranqüilamente e ele não demorou mais do que 10 minutos. Enquanto voltava, matinhas as mãos para trás e chegando diante da menina ajoelhou-se e com a mão esquerda segurou as mãos pequeninas dela. A garota o olhava curiosa e ele tirou de trás das costas a mão direita que ainda permanecia escondida e ofereceu a ela uma linda margarida. A menina soltou umas das mãos e tomou para si a flor e cuidadosamente a segurou junto ao corpo.

- Agora hei de contar-te um segredo. Este será apenas teu e meu e de ninguém mais. Se me prometeres isso, eu o contarei.

A menina engoliu em seco e com um singelo meneio com a cabeça consentiu com as condições.

- Então é em segredo que te conto que em meu coração amo-te tanto que chega a doer...

A garota levantou de sobressalto, surpresa com a declaração do jovem. Iria sair correndo, para esconder a face ruborizada, se não fosse a mão do rapaz a segurar-lhe ternamente a mão pequenina.

- Lembre-se! Isto é um segredo nosso.

Quase sem mover os lábios a menina respondeu.

- Sim!

Tendo ouvido a resposta da menina o rapaz a soltou e esta partiu correndo através da rua, com os cabelos e vestido esvoaçando até que chegar em casa.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Amanhã

À beira do precipício
Na última pedra
a mais alta que se erguia
da parede rochosa e imponente
Que apontava para o horizonte
Onde o céu se curva para provar do mar, o sal

Lá estava o homem velho
Não velho por falta de respeito
Mas velho porque assim o tempo o fez
Quando curvou suas costas e enrugou sua fronte
Quando tornou rouca a sua voz e
lhe deu uma longa barba branca

Lá de cima ele observa imensa escuridão noturna
O imenso vazio da noite sem luar
Mas ele não se lamentava
Mas tampouco sorria
Estava distante do mundo
Sem alegrias ou tristezas
Passava seus dias ali na pedra
Outrora vivia cercado de amigos
Mas agora estava só, por ser o último dos seus

Pobre homem velho
Até mesmo a sabedoria lhe fugia a mente
Antes fora um professor
Nunca deu aulas numa escola
Mas educou uma família

Ah homem velho
Se ainda tivesses o corpo forte
Que agüentava o mundo sobre os ombros
Se ainda tivesse a disposição de seguir
Mesmo com os grilhões
Se ainda fosse fértil o solo da tua mente
Não estaria sozinho agora

Ah homem velho
Como é pequeno
Esse maravilhoso mundo imenso
Não conheço dele um terço
Mas o que conheço dele
As vezes não agüento

Agora estamos no mesmo lugar homem velho
E juntos vemos o sol nascendo
Lá onde a noite beijou o mar
Mas por hora não irei ficar
Mas se me esperar
Amanhã aqui vamos nos encontrar

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ele era um deus

Ele era uma deus
Ele precisava ser salvo
Buscava a perfeição da vida
nos métodos dos outros homens
Mas ele era um deus
Assim ele dizia

Ele pensava que era um deus
assim ele tinha forças pra seguir
E se a noite fosse fria demais
para sua solidão sob as cobertas
Ele erguia a voz
Seu próprio deus
Uma voz que ressoava como um trovão
Apenas em sua mente
Ele não parava o frio
mas chorava baixinho

Ele era um deus
mas ninguém o servia ou o adorava
Ele era um deus
mas não tinha nada
Ele era um deus
mas toda noite ele rezava
Ele era uma deus
mas nenhum outro deus o ajudava
Ele era um deus
mas seu coração sangrava
Ele era um deus
mas sua alma definhava
Ele era um deus
Ele não era nada

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

As gotas de chuvas escorrem pelos vidros como lágrimas. Quando eu as vejo eu acho que sou eu chorando.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Te amo

Se você pudesse ver a minha alma
Você veria que eu te amo
Se os seus lábios sentissem a minha pele
Eles sentiriam que te amo
Se o amor tivesse um cheiro
Do meu corpo você respiraria o amor
Se minha voz tivesse coragem
Então não restariam mais dúvidas
para você saber o que sinto
Eu te amo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Palhaço Triste

O mundo segue adiante
indiferente ao sentimento alheio
Caos, miséria, fome, violência
Desespero, dor, tristeza
O mundo se farta
no cálice amargo
que me serviu de alimento
desde meu nascimento

Sob o manto da noite
as vozes inocentes
clamaram socorro
Seus corações pulsavam temerosos
Convidativos
Como o rufar dos tambores da guerra

Um anjo?
Esta palavras me fizeram chorar
E novamente eu chorei
Quando por estas vítimas
de demônio fui chamado

Da noite eu conheço a solidão
Alvo dos disparos cruéis
dos olhos pálidos que me negam
Da noite eu conheço
o vazio de existir
Não tendo carne nem sangue
Numa imitação de vida
Num brinquedo caricato
Feito de tristeza
Que sorri feito um palhaço

sábado, 13 de setembro de 2008

Herói

Eu tentei correr
mas minhas pernas não me obedeceram
Eu tentei me esconder
mas meu corpo paralisou
Eu tentei abaixar os braços
mas meu punhos fizeram guarda

Todo o meu corpo estremeceu
O medo em meu corpo
se tranformou em força
Meu corpo sangrou
Toda a minha dor
se transformou em vontade de vencer

No momento em que ataquei
Eu hesitei
Quando eu ri e gritei
Eu chorei
Quando eu venci
Eu perdi